terça-feira, abril 25, 2006


VIVER
(atribuído a Luís Fernando Veríssimo)

"Acho a maior graça.
Tomate previne isso,
cebola previne aquilo,
chocolate faz bem,
chocolate faz mal,
um cálice diário de vinho não tem problema,
qualquer gole de álcool é nocivo,
tome água em abundância, mas não exagere...
Diante desta profusão de descobertas,
acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar,
mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas;
incham-me o cérebro,
volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez
me embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro
me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem,
dançar faz bem,
ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo,
faz muito bem;
você exercita o autocontrole
e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite
é prejudicial à saúde.
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas,
pior ainda.
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer,
não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema,
conseguir um lugar central nas fileiras do fundo,
não ter ninguém atrapalhando sua visão,
nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca.
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada"

sábado, abril 22, 2006

Formação de educadores- Rubem Alves

Formação de educadores
RUBEM ALVES

“Não se trata de formar o educador, como se ele não existisse. Como se houvesse escolas capazes de gerá-los, ou programas que pudessem trazê-lo à luz. Eucaliptos não se transformarão em jequitibás, a menos que em cada eucalipto haja um jequitibá adormecido”.

O que está em jogo não é uma técnica, um currículo, uma graduação ou pós-graduação. Nenhuma instituição gera aqueles que tocarão as trombetas para que seus muros caiam.

O que está em jogo não é uma administração da vocação, como se os poetas, profetas, educadores pudessem ser administrados.

Necessitamos de um ato mágico de exorcismo. Nas histórias de fadas é um ato de amor, um beijo, que acorda a Bela Adormecida de seu sono letárgico, ou o príncipe transformado em sapo.

Diz-nos Freud que a questão decisiva não é a compreensão intelectual, mas um ato de amor. São os atos de amor e paixão que se encontram nos momentos fundadores de mundos, momentos em que se encontram os revolucionários, os poetas, os profetas, os videntes.

É depois, quando se esvai o ímpeto criador, quando as águas correntes se transformam primeiro em lagoas, depois em charcos, que se estabelecem a gerência, a administração, a burocracia, a rotina, a racionalização, a racionalidade.

A questão não é gerenciar o educador.
É necessário acordá-lo.
E, para acordá-lo, uma experiência de amor é necessária.”

“Talvez o professor seja um funcionário das instituições que gerenciam lagoas e charcos, especialista em reprodução, peça num aparelho ideológico de Estado. Um educador, ao contrário, é um fundador de mundos, mediador de esperanças, pastor de projetos.”


“O corpo só preserva as idéias que lhe sejam instrumentos ou brinquedos – que lhe sejam úteis, que o estendam, para a incorporação da natureza como parte de si mesmo; que lhe dêem prazer, porque não se vive só de pão, mas também de jogo erótico e artístico. A volta ao corpo implica a exigência de uma assepsia geral e rigorosa em que todos os produtos da educação são colocados de quarentena, para que o corpo se desafogue e desengasgue e possa tomar a iniciativa de selecionar e usar somente aquilo que lhe convier, se o quiser.”

“...pois é isto que é pensar: brincar com palavras como se brinca com peteca, bolinhas de gude, quebra-cabeça...”


por Aroldo D. Lacerda

terça-feira, abril 18, 2006

Aprenda a fazer as Caixinhas Festina Lente

se você não conseguir visualizar as instruções, envie um e-mail para festinalentebrasil@gmail.com que nós enviaremos o arquivo para você.




AÇÃO CIDADÃ

Bairro: Santa Tereza - Belo Horizonte
Data: 25/03/2006







terça-feira, abril 11, 2006

“Modestas proposições sobre as condições de uma pesquisa em Artes Plásticas na Universidade"

“Modestas proposições sobre as condições de uma pesquisa em Artes Plásticas na Universidade”

in : O meio como ponto zero: metodologia de pesquisa em artes.Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRG,2002, p: 17-33.


De Jean Lancri

Fichamento por: Aroldo Dias Lacerda



Situar a produção do autor é fundamental para se compreender a sua reflexão sobre arte. Pesquisei imagens e um pouco de sua trajetória para subsidiar este fichamento.

Jean Lancri é pintor com vasta produção artística e atua como professor universitário no Brasil e em vários países.Numa exposição em Salvador-Bahia em 2002, o jornal “Correio da Bahia” de 04/12 o descreve como “pintor surrealista francês que traz um trabalho meticuloso de pesquisa de materiais e explora cores vivas e pulsantes. Em suas pinturas, surge sutilmente o desenhista,nos contornos das formas orgânicas”


Inicialmente, Lancri aponta para as dificuldades para se começar algo em qualquer circunstância e daí sugere o ponto de partida para uma pesquisa em artes plásticas: do meio de uma prática. O autor faz o que chama a apologia da posição mediana.

A expressão ‘pesquisa em artes plásticas’ será abreviada por PAP e será usada doravante, dada a freqüência com que ela surge na exposição das idéias.

Passa, então, a definir o procedimento do pesquisador em artes plásticas que, para ele, trabalha entre o conceitual e o sensível, entre a razão e o sonho. A originalidade da tese de uma PAP é o entrecruzamento de uma produção plástica com uma produção textual:

“o ponto de partida da pesquisa situa-se, contudo, obrigatoriamente, na prática plástica ou artística do estudante, com o questionamento que ela contém e as problemáticas que ela suscita”(LANCRI, p:20)

Na apresentação do livro, as organizadoras nos falam também do “ forte vínculo entre o pensar e o fazer ( grifos meus) que configura toda a estrutura necessária para que a informe matéria das idéias encontre campo de pouso e ação”. Eu acrescentaria, evocando o filósofo Rudolf Steiner, o papel mediador do sentir, sem o qual aqueles dois pólos ficariam isolados. E é nessa medida que o artista plástico pode dar um depoimento diferenciado sobre sua produção e a de outros artistas, pois conhece e vivencia através de sua prática os meandros do processo de criação. Cada vez que um artista plástico olha uma obra de arte, ele a interpreta e a analisa a partir de seu próprio sistema referencial, como pensa Sandra Rey em “Produção plástica e a instauração de um campo de conhecimento”.

Segue-se que o modelo de tese aqui em PAP “continua aberto: com cada pesquisa, esse modelo deveria ser reinventado”(LANCRI: p:22). O pesquisador em artes plásticas claudica entre a razão e o sonho.É preciso esclarecer seu objetivo, para defender institucionalmente seu assunto de tese, mas Lancri nos alerta para que o uso da razão seja temperado por uma certa dose de dúvida.Logo é posto o problema do projeto.

Para tanto, propõe que se organize “conceitos suscetíveis de antecipar o objeto de pesquisa, que prevêem a trajetória do futuro trajeto” (LANCRI,p: 27)

Passa a tratar do velho debate que opõe razão científica e a arte.A saída seria imaginar um processo cognitivo que apontasse para o sensível e não somente para o conceito, o que me remete à leitura do prof. João-Francisco Duarte Jr. - do IA da UNICAMP - em seu livro “O sentido dos sentidos- a educação (do) sensível” (Criar edições, 2004). Em sintonia com o pensamento de Lancri, o professor João-Francisco aponta na contra-capa:

“Enquanto o conhecimento intelectivo busca o genérico, a arte se detém no único.(...)A Idade Moderna aspira a um tipo de conhecimento centrado na “razão pura”. Razão hipertrofiada, já que pretende alcançar os mais íntimos setores de nossa vida, desconsiderando o saber sensível e embotando o desenvolvimento da sensibilidade dos indivíduos.Essa anestesia que sofre (sic) o homem contemporâneo precisa ser revertida através de uma educação da sensibilidade”

Continuando suas ponderações, Lancri afirma à página 28 que “ a PAP não preconiza um outro uso da racionalidade, mas prioriza o uso de uma outra racionalidade”, que levaria em consideração o uso contraditório dos conceitos , sem que isto viesse a avalizar a imprecisão. Pois:

“A redação do texto, que constitui a parte escrita da tese, deve buscar a maior precisão do pensamento. (...) Racionalizar o nebuloso, (...) o que não implica, ao contrário, que seja necessário, por isso racionalizar a arte”(LANCRI, p: 29)

Analisa agora , o comportamento de um pesquisador em ciências frente ao do artista plástico: o primeiro tende a se retirar do campo da episteme, enquanto o segundo nele penetra com temeridade. Retoma o fato de a PAP claudicar entre sonho e razão e evoca a estratégia de Juan Miró e Paul Klee, escolhidos ‘ao acaso’, onde duas fases devem ser destacadas . A seu exemplo, a gênese e a busca de uma tese de uma PAP teriam dois momentos: o da proliferação e o da depuração. Relaciona o primeiro momento ao sonho e o segundo à razão, não sem antes alertar que nada impede , entretanto, que superando este simplismo ( o grifo a seguir é meu): “ A razão sonha e o sonho raciocina em uma claudicação – em que a PAP poderia encontrar uma de suas melhores definições”(LANCRI, p:31).

Caminha para a conclusão, trazendo a questão da autoridade do autor de uma PAP, da maneira como o autor se faz autoridade ( ou não) no seio da comunidade científica e cita Montaigne, que escreveu ao fim de seus Essais: “Não fiz meu livro mais do que meu livro me fez”. Nota que falando-nos assim, magistralmente Montaigne ata dois enigmas: o da reflexividade e o da paternidade:

“Sim, em arte, é bom que o autor se faça reconhecer como tal; na ciência, ao contrário, é bom que o autor se faça esquecer como tal”(LANCRI, p: 32)

Finaliza delineando todas as diferenças entre criação, por um lado, e produção, invenção, descoberta, por outro. A primeira se vinculando mais à arte e as demais, à ciência. E encerra, ao apontar que:

“o cerne da questão da pesquisa universitária em artes plásticas é, em última análise, a questão da arte”.(... )uma questão perpetuamente retomada aos confins de investigações empreendidas nos campos da produção, da invenção, da descoberta e, por que não, da criação”(LANCRI, p: 33)

sábado, abril 08, 2006

EDGAR MORIN



Imperdível!!!
Resenha de Os sete saberes necessários à educação do futuro.

Acesse o link:
www.conteudoescola.com.br/site/content/category/6/25/40/

Vale a pena!!!

FESTINA LENTE




Arte, educação, cidadania.

Da necessidade de se criar mais instâncias para a partilha e a discussão, do desejo de fazer da reflexão o trampolim para a ação, um grupo de amigos _ estudiosos em Artes e profissionais que atuam em áreas diversa _ resolveu desacelerar (em parte) sua rotina.

O Grupo Festina Lente surgiu do encontro entre pessoas que acreditam ser possível dedicar algum tempo ao tempo. Pessoas que confiam em seu potencial para enfrentar desafios e agir, isolada ou conjuntamente, em prol da construção do saber e de uma melhor qualidade de vida.

Em sessões semanais, procura-se alicerçar o agir em práticas pedagógico-sociais, a fim de que a atuação seja fomentada e enriquecida. Não há busca de soluções milagrosas, mas através do estímulo o espírito de equipe, existe a vontade de criar soluções simples e factíveis para uma intervenção efetiva no cotidiano. Nesse sentido, a Arte e a Educação são compreendidas como instrumentos privilegiados para a ação.

Uma vez instalado em sede própria, Festina Lente promoverá oficinas, debates, eventos culturais dentre outras atividades que concorram para uma prática coerente e comprometida com o desenvolvimento humano e social.