sábado, abril 22, 2006

Formação de educadores- Rubem Alves

Formação de educadores
RUBEM ALVES

“Não se trata de formar o educador, como se ele não existisse. Como se houvesse escolas capazes de gerá-los, ou programas que pudessem trazê-lo à luz. Eucaliptos não se transformarão em jequitibás, a menos que em cada eucalipto haja um jequitibá adormecido”.

O que está em jogo não é uma técnica, um currículo, uma graduação ou pós-graduação. Nenhuma instituição gera aqueles que tocarão as trombetas para que seus muros caiam.

O que está em jogo não é uma administração da vocação, como se os poetas, profetas, educadores pudessem ser administrados.

Necessitamos de um ato mágico de exorcismo. Nas histórias de fadas é um ato de amor, um beijo, que acorda a Bela Adormecida de seu sono letárgico, ou o príncipe transformado em sapo.

Diz-nos Freud que a questão decisiva não é a compreensão intelectual, mas um ato de amor. São os atos de amor e paixão que se encontram nos momentos fundadores de mundos, momentos em que se encontram os revolucionários, os poetas, os profetas, os videntes.

É depois, quando se esvai o ímpeto criador, quando as águas correntes se transformam primeiro em lagoas, depois em charcos, que se estabelecem a gerência, a administração, a burocracia, a rotina, a racionalização, a racionalidade.

A questão não é gerenciar o educador.
É necessário acordá-lo.
E, para acordá-lo, uma experiência de amor é necessária.”

“Talvez o professor seja um funcionário das instituições que gerenciam lagoas e charcos, especialista em reprodução, peça num aparelho ideológico de Estado. Um educador, ao contrário, é um fundador de mundos, mediador de esperanças, pastor de projetos.”


“O corpo só preserva as idéias que lhe sejam instrumentos ou brinquedos – que lhe sejam úteis, que o estendam, para a incorporação da natureza como parte de si mesmo; que lhe dêem prazer, porque não se vive só de pão, mas também de jogo erótico e artístico. A volta ao corpo implica a exigência de uma assepsia geral e rigorosa em que todos os produtos da educação são colocados de quarentena, para que o corpo se desafogue e desengasgue e possa tomar a iniciativa de selecionar e usar somente aquilo que lhe convier, se o quiser.”

“...pois é isto que é pensar: brincar com palavras como se brinca com peteca, bolinhas de gude, quebra-cabeça...”


por Aroldo D. Lacerda

2 Comments:

At 11:40 PM, Anonymous Isabel said...

Amigos, estou amando tudo!!!
Quando eu puder colaborar com material para o blog, ficarei mais feliz ainda!!!
Profissionais!!!
Uau!!!

 
At 6:50 PM, Anonymous Comentarista amiguinho sem medinho said...

Mistura deferente essa do Mario de Andrade e sua insuperável força comovente e o do nosso Rubinho com sua doçura forjada no prelo do burfotismo* oportunístico.


*burguês bom "vivant" misturado com algo bem fofinho

 

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